Como melhorar a concentração?

Você se percebe perdendo o foco do conteúdo que está estudando? Não consegue manter a concentração e recorda pouco do que já estudou? Sua atenção pode estar te sabotando no momento de estudar!

Quer saber mais sobre esse assunto? Na sequência lhe apresentamos um texto que lhe auxiliará na compreensão do funcionamento da atenção e algumas sugestões de como aprimorar sua memória para a hora da prova.

Não deixe de ler e de compartilhar com seus amigos e colegas de estudos!

 

Atenção enquanto um processo cognitivo fundamental

O termo atenção possui vários significados, a depender do estudioso utilizado. Neste texto utilizaremos a definição usada por Sternberg (2014), a qual reconhece a atenção como o meio através do qual as pessoas conseguem processar ativamente uma limitada quantidade de informações.

A atenção permite ao ser humano selecionar, dentre a imensa gama de informações disponíveis pelos sentidos, pela memória armazenada e por outros processos cognitivos, aquelas que lhe interessam naquele instante.

Lembro que, este processamento ocorre de forma limitada. Então, se você está estudando sem pausas para se alimentar, ir ao banheiro, tomar banho e respirar, por achar que irá melhor na prova do que os candidatos que estão dando uma pausa nos estudos, você está muito enganado!

Nosso cérebro precisa de descanso. E o sono é o melhor organizador de informações que possuímos. Não esqueça de usá-lo!

A atenção envolve tanto processos conscientes (se tem consciência deles no exato momento em que estão ocorrendo) quanto processos inconscientes (não se tem consciência deles no momento em que estão ocorrendo).

O processamento de nossa atenção ocorre de forma limitada, ou seja, guardamos uma quantidade limitada de informação sensorial que está disponível em determinado instante.  

Se você está achando que vai conseguir estudar todos os conteúdos do edital em quinze dias, pare! Respire fundo e monte um cronograma de estudo realista para que você não fracasse ao final!

O cérebro humano é tão magnífico que ele permite ao indivíduo, por meio dos fenômenos psicológicos da atenção, utilizar esses recursos limitados de modo equilibrado. É possível diminuir nossa atenção em relação a estímulos internos e externos e focarmos somente nos estímulos que realmente nos interessam naquele instante.

 Por exemplo, você foi para seu quarto e começou a estudar para o concurso, nesse mesmo instante seu pai decidiu cortar grama do lado da janela do seu quarto e seu vizinho está começando uma festa e coloca tocar funk no nível máximo do som.

Você, utilizando sua atenção seletiva, diminui sua atenção sobre os estímulos externos (cortador de grama e som alto) e focaliza sua atenção no conteúdo.

Por meio da atenção, o ser humano consegue recordar de fatos específicos dos quais prestou atenção. Muito mais do que das situações que ignorou.

Por exemplo, você sabe que o vizinho estava ouvindo funk enquanto você estava estudando, mas dificilmente lembrará das letras das músicas se manteve sua concentração no material que estava lendo.

Quando pensamos a atenção, sabemos que ela possui alguma função em nosso cérebro. Caso contrário, não teria porque termos ela. Pois bem, a atenção consciente serve a três propósitos:  

1) auxilia no monitoramento das interações do indivíduo com o ambiente que o cerca. Por meio deste monitoramento, conseguimos perceber o quão bem adaptada a pessoa está em relação ao ambiente (situação, local, pessoas) em que se encontra.

2) auxilia o ser humano a estabelecer uma conexão entre o passado (lembranças) e o presente (sensações), visando garantir um sentido de continuidade nas experiências de vida das pessoas. Você sabe que estudou vários dias porque hoje é a prova do concurso que você tanto almeja passar. Já imaginou se você não conseguisse lembrar disso?

3) auxilia as pessoas no planejamento das ações que executará no futuro, bem como no controle dessas ações. Para fazer isso, o indivíduo utiliza como base as informações discutidas nos itens 1 e 2.

 

Processamento Pré-Consciente

Em nossa consciência, as informações permanecem enquanto as estamos utilizando. E quando não precisamos delas, para onde essas informações vão?

Nosso cérebro atua em um nível pré-consciente, em que o processamento ocorre quando, naquele instante as informações estão fora da consciência, mas podem ser acessadas quando necessário sem muita dificuldade.

Por exemplo, os conteúdos já estudados para a prova provavelmente estão no seu pré-consciente, sendo que ao ler um dos tópicos do conteúdo estudado, sua memória fará esse assunto vir à consciência.

 

Vamos para a prática!

Qual o primeiro conteúdo estudado por você na data de ontem? E aí, foi difícil lembrar? Conseguiu acessá-lo?

Caso você não precise mais desse conteúdo nesse momento, eles voltarão para seu pré-consciente.

Outro exemplo, você sabe que possui um pé direito, mas não estava prestando atenção nas sensações sentidas por ele até este instante. Isso não quer dizer que antes ele não estava recebendo sensações, pelo contrário, estava, mas sua atenção não estava focada nelas.

Nosso cérebro é tão fantástico que ele nos permite armazenar as informações e, posteriormente, acessá-las de acordo com nossas necessidades. Para descrever este fenômeno, os psicólogos cognitivistas utilizam o termo priming (ativação).

 

E você, sabe o que é priming?

O priming ou ativação é um termo utilizado para descrever o processo em que as informações são recuperadas em nosso cérebro após um tempo, por meio de estímulos específicos fornecidos.

Pensando deste modo, o priming ocorre quando o reconhecimento de certos estímulos é afetado pela apresentação anterior desses mesmos estímulos ao indivíduo.

Por exemplo, no edital da prova que você irá fazer foi solicitado o conhecimento sobre a Constituição Federal. Ao ler a Constituição você se deparou com o conceito de nacionalidade.

Na data da prova, você abre seu caderno de questões e em um dos enunciados estava o conceito de nacionalidade; neste momento, por meio do priming, seu cérebro busca as informações que você armazenou sobre esse conceito e lhe traz à consciência para que você possa utilizar na interpretação do enunciado.

Mas atenção! Ansiedade e estresse interferem no processamento do priming. Então se você se mantiver ansioso ou estressado durante a prova, talvez tenha dificuldades para acessar os conteúdos estudados; por isso, procure manter a calma fazendo a técnica da respiração diafragmática.

Uma pausa! Você não sabe como aplicar essa técnica? Não tem problema, sente confortavelmente na cadeira e vamos começar.

1° Passo: Coloque uma de suas mãos em cima de seu abdômen. A mão precisa se concentrar entre seu umbigo e suas primeiras costelas. Isso faz com que você sinta o movimento realizado pelo seu abdômen durante a técnica.

2° Passo: Feche os olhos e concentre toda a atenção na sua respiração.

3° Passo: Inspire, devagar, pelo nariz até encher os pulmões de ar.

4° Passo: Quando o pulmão encher, conte até dois e expire o ar, devagar, pela boca até esvaziar o pulmão completamente.

 5° Passo: Repita os passos anteriores por dez vezes ou por 5 minutos.

Com esta técnica, quando aplicada diariamente, você perceberá que sua ansiedade diminuirá significativamente, pois a mesma age no controle do diafragma (permite que o pulmão tenha toda a sua capacidade usada), bem como auxilia no fornecimento de oxigênio ao corpo e ao cérebro, melhorando seu funcionamento.

Voltamos agora com nossa dica de ouro!

 

Dica de Ouro!

Você está se concentrando, mantendo o foco na hora de estudar, mas mesmo assim não consegue guardar uma grande quantidade das informações vistas no dia. Segue uma dica para te auxiliar nesse processo.

Já ouviu falar em mapas mentais? Eles podem te auxiliar no armazenamento de uma maior quantidade de informação!

Os mapas mentais são um método de armazenar, organizar e priorizar informações por meio de palavras-chave ou imagens-chave, as quais têm como intuito desencadear lembranças específicas para estimular seu cérebro a criar novas reflexões.

O mapa mental é utilizado para estimular o cérebro a laborar com mais rapidez e eficiência, pois ele imita o funcionamento do próprio cérebro humano.

Lembra do exemplo que trouxemos no texto, sobre o conceito de nacionalidade? Pois bem, esse conceito pode ser, dentro de seu mapa mental, uma palavra-chave, desde que, ao lê-la você consiga recordar de uma quantidade considerável de informações que envolvam esse tema.

 

Comece a praticar hoje!

Quer saber como reconhecer se a palavra ou a imagem escolhida por você é um bom mapa mental para você recordar de tudo aquilo que precisa? Vem que eu te mostro!

Abaixo vou apresentar uma palavra e algumas perguntas sobre a palavra e quero que você as responda (esse exemplo foi retirado de BUZAN, 2009):

BANANA

Você não me ouviu pronunciando a palavra, mas:

  • você viu uma imagem em seu cérebro dela?
  • ela era colorida?
  • com que rapidez você compreendeu a palavra?
  • o que era a imagem?
  • quais as associações em torno dela?
  • onde ela estava antes de aparecer?

 Provavelmente você deve ter projetado em seu cérebro a imagem da banana, talvez com a coloração verde ou com pinta marrom, em forma de geleia ou inteira.

A variação das respostas de cada pergunta vai depender do processamento cognitivo de cada pessoa que fizer este exercício.

No entanto, pensando agora na palavra-chave ou imagem-chave escolhida por você, se ela lhe permitiu um acesso rápido, com o maior número de detalhes possível sobre a palavra BANANA, significa que o mapa mental criado por você será eficaz no momento de recordar do conteúdo estudado.

Caso não tenha sido eficaz, procure outros conceitos ou imagens que lhe proporcione essa riqueza de detalhes.

Talvez de imediato você tenha dificuldades para criar mapas mentais tão eficazes, mas não desista, é praticando que você aprimora esse método!

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Dados do autor:

Professora Poliane Brunetto Carrasco é bacharel em História pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE), graduada em Psicologia pelo Centro Universitário da Fundação Assis Gurgacz (FAG), especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental pelo Instituto de Terapia Cognitiva (ITC - São Paulo), membro fundador da Associação de Proteção e Assistência ao Condenado (APAC) de Cascavel-PR e empresária no setor de cursos e treinamentos.

Éder Gulhak

Éder Gulhak é jornalista, formado desde 2008, tendo trabalhado por vários anos com assessoria e também diversos veículos de comunicação. Músico por paixão, teve contato desde cedo com ferramentas e métodos de produção e edição de conteúdo por meio de áudio, vídeo, texto e imagens. Atuou, mais recentemente, com vendas e gerenciamento e treinamento de equipes em âmbito nacional. Aficionado pelos meios digitais, hoje reúne toda sua experiência e se dedica exclusivamente ao Marketing Digital.

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